sábado, 03 de dezembro de 2016
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Pedro Afonso - TO
Pega nome da pessoa
"Poemizando" a vida

Palavras àqueles que já tiveram o privilégio de conhecer essa amada e benquista cidade

15/07/2016 18h20 - Atualizado em 15/07/2016 18h24

Lia Raquel Mascarenhas

É tarde. O sol alaranjado pinta o céu antes todo azul. O pôr-do-sol tem uma beleza una contemplada logo ali da pracinha da Igreja. A natureza parece pintar um quadro sem borrões. É difícil passar por lá sem a vontade imediata de registrar aquela cena. Como protagonistas, pássaros cantarolam felizes enquanto se achegam às palmeiras. A cena se repete diariamente por volta das 18h. É uma rotina inquietante e ninguém aqui se cansa disso. Tudo na vida da gente parece ter um gosto. Cenas assim têm gosto de nostalgia, de sabor prolongado, de coisa boa.

 Pedro Afonso é poesia com rimas que chegam do Rio Sono, do Rio Tocantins, da fauna e flora ricas. Os versos dessa amada cidade tomam forma no sorriso amigo dos que ainda têm o saudoso costume de se assentar à porta da casa ao final do dia. Aconchego de ilha e de calor que arde (e deixa saudade) são saudações pedroafonsinas a todos aqueles que se permitem conhecer essa terra.

 Hoje as felicitações se voltam a ela – nossa amada e benquista cidade. Como devotos e fãs assumidos declaramos nossa admiração, gratidão e amor a essa história de 169 anos! Terra de Frei Rafael de Taggia. Terra de todos. Nossos parabéns se estendem às conquistas, à “libertação do jegues”, à memória de uma cidade que cresceu em tamanho, lutas e sucesso.

Pedro Afonso é palco dessa vida que acontece toda hora. Quem aqui mora, já morou , visitou ou deu uma passadinha tem vivas no coração essas lembranças que nunca morrem.

 Amada e linda cidade, "por te amar e querer tanto" deixo minha saudade em forma de palavras. Saudade das águas que molham a alma e enxugam os medos. Saudade de toda essa história que recomeça todos os dias.



“As aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá”

24/06/2016 07h53 - Atualizado em 24/06/2016 08h01

Lia Raquel

Procuro as minhas raízes, o meu povo, a minha cultura e tudo o que encontro é uma saudade desbotada pelas distâncias da BR-153. Não sinto o abraço daquele sol prazeroso (e quente) logo cedo. Não vejo o suor na testa dos pedestres nem ouço reclamações pelo calor. Os girassóis se distanciam e só os vejo em pensamento naquela grande praça. A carne seca ficou na saudosa cozinha familiar. Os “s” bem utilizados nas “lissstas” e “passsteis” seguido dos “r” soam em minha mente.

 A alegria de ouvir um “Tu” bem falado é complemento dessa ansiedade por cultura perto, dentro de mim. O falar rápido, agoniado e com energia – quanta falta! Sei que sempre restará essa vaga cultural, incômoda e inexorável. Esse caçulinha tem deixado lembranças. É o caçula do Brasil, mas já tem história de gente grande. A saudade me aperta nos costumes, no sotaque, nas pessoas, na política, no tempo e na distância.

Cá posso até ter muita coisa, mas não na mesma intensidade quanto junto ao meu “menino estatal”. Abro a minha janela. As aves gorjeiam, mas não gorjeiam como lá…



Quando as pelejas são de Deus

13/06/2016 17h39 - Atualizado em 13/06/2016 17h41

“Durante a batalha clamaram a Deus, que os ajudou, entregando os hagarenos e todos os seus aliados nas suas mãos. Deus os atendeu, porque confiaram nele. E muitos foram os inimigos mortos, pois a batalha era de Deus. Eles ocuparam aquela terra até a época do exílio. '' I Crônicas 5: 20 e 22- Versão Internacional

 As tribos de Rúben, Gade e metade da tribo de Manassés – do leste de Israel – saíram para guerrear contra os hagarenos e seus aliados. Naquela época a disputa por bens e territórios era questão de sobrevivência. Soldados e lutas faziam parte de um contexto comum. A arte de guerrear era conjugada diariamente pelos povos israelitas e seus vizinhos.

No entanto, essa batalha foi diferente das demais. Diferente não pela quantidade de soldados ou pela inovação no armamento, mas pela decisão que tomaram. A tropa hebreia, antes de sair para articular seu plano de defesa contra o exército inimigo, colocou -se à inteira dependência de Deus.

Pediram a ajuda de Deus antes de colocarem as armaduras. Confiaram nEle antes de qualquer ataque. Porque pediram e porque confiaram, Deus acolheu o anseio daqueles militantes. A relação de causa e efeito é intensamente viva, primeiro pediram e na sequência confiaram no Senhor dos Exércitos. Deus atendeu ao clamor porque a luta era dEle. O Grande Rei ouviu a prece não porque aqueles soldados eram melhores que os hagarenos ou porque eram mais fortes, mas tão somente porque pediram e confiaram em Seu poder.

Todos nós temos desafios de segunda a segunda. A vida é exigente e, muitas vezes, é fácil pedir a ajuda divina, mas o “confiar” torna-se mais oneroso. Há lutas que não cabem a nós, mas a Deus. Tudo o que Ele deseja de sua raça humana é a junção do duelo “pedir e confiar”. Isso exige habilidade, pois só conseguimos confiar em algo ou em alguém quando o conhecemos verdadeiramente.

Antes de sair para os combates do dia, peça e confie nEle. A luta é mais dEle do que sua.
 

Amor de varanda

30/05/2016 17h41 - Atualizado em 30/05/2016 17h43

Lia Raquel

“Era outono, amor. Não acredito que sua memória vai falhar logo agora”, brincou o Sr. Veiga com a sua companheira.

“Tanta coisa aconteceu naquela noite (…). Lembrar da estação é apenas um detalhe à parte, meu querido ”- foi a autodefesa da Srª. Margot.

Depois de 40 anos juntos, contando aqui o período do namoro, noivado e casamento, o casal olhava a sacada de onde surgiram as primeiras trocas de olhares.
Eram meados da década de 70. Ele, com seus vinte e poucos anos, lia a “Gazeta” e se assustava com os antagonismos – crise do petróleo, rock in roll e a tão sonhada democracia ainda longe.

Ela, com seus 18 anos recém-completados, escrevia poesia e, nos intervalos, estendia roupa na varanda.

Os dois moravam na mesma rua: a querida 326. Há anos viviam separados por uma pequena distância, mas incrivelmente não se conheciam o suficiente. Vez ou outra se encontravam nos arredores do Colégio Bandeirantes, mas a timidez e a correria em que se permitiram entrar impediam um contato maior. Não foi coisa simplesmente do destino. No amor, acredito eu, não tem dessas coisas.

Era para ser mais uma noite bucólica. Os dois jovens, cada um no seu canto, cuidavam de suas atividades. Veiga, ao encompridar sua leitura, foi interrompido pela vista da sacada do outro lado da rua. Onde estava ficou embevecido ao observar a sua “antiga” vizinha. Parecia ter algo diferente, algo ocultado pelos anos da adolescência, uma beleza sem tamanho, uma simplicidade escondida ali, tão pertinho. A jovem notou a presença daqueles olhares e, diante da cena, correspondeu àquele início de coisa boa que acabava de surgir.
Eles foram espertos o suficiente para continuarem essa história. Aquela noite foi apenas o prefácio de um romance real, duradouro e desafiador.

Agora, depois de um bom e saudoso tempo, o Sr. Veiga apontava, com lágrimas escorrendo pela face já enrugada, à varanda hospedeira daquele amor. A Srª. Margot com sua delicadeza, não perdida pelos anos, limpava o rosto do seu amado e o abraçava ternamente, sem saber ainda se, ,quando tudo começou, era outono ou primavera.





 

Quando a alma se cala e o coração grita

24/05/2016 09h03 - Atualizado em 24/05/2016 09h15

Lia Raquel

Eram jovens ainda quando se conheceram. Como dois apaixonados, seguiram aquela fase ‘romântica de ser’: namoraram, ficaram noivos e se casaram. Tiveram filhos e netos. Inventaram sonhos. Construíram uma vida.

Abruptamente ideais foram interrompidos e muitos sonhos ficaram pela metade. A doença levou aquele Senhor ao pó da terra. A sua amada foi levada também, mas pela saudade e pela dor quase intermináveis. A vida, antes colorida, agora permanecia escura. A primavera de sentimentos sempre tão presente no lar dos dois foi tomada por doses invernais de tristeza e lágrimas carregadas de tortura.

A cadeira de balanço, antes usada por ele, seguia inerte e sem função. Os jornais, outrora lidos e rabiscados, estavam jogados no canto da sala. O cachecol xadrez e a bengala desgastada já não mais eram usados. A velha boina, guardada desde a época dos primeiros anos de casamento, mantinha-se no suporte próximo ao guarda-roupa.

O pesar era grande e as lembranças também. Eles viveram por muito tempo sendo “um”. A morte chegou sem aviso prévio e seguir com essa notícia foi fatigante o suficiente para acorrentar o coração daquela que ficara.

A alma da senhora apaixonada estava cansada. Sua coluna parecia sopesar ainda mais. O seu auxílio para andar era o ombro do amado, doravante precisava dos móveis como apoio. Nada fazia sentido. O sentido estava morto. Sua poesia, presentemente estava fúnebre; seus versos, adormecidos. Seu sentimento era incapaz de seguir sozinho. Seus braços chamavam por aqueles braços fracos, envelhecidos, mas que eram seus, totalmente seus.

Os cabelos dela pareciam clamar pelo cafuné recebido todos os dias depois do lanche das cinco. Agora, apenas uma xícara, uma colher, um prato. Agora, um guardanapo, uma toalha, uma escova de dente. Aquele conjunto de objetos a martirizava de uma forma inexplicável!

Com o passar das horas, a alma permanecia em silêncio, mas o coração não parava de gritar. Ela se deu conta de que, se ali ele estivesse, jamais quereria vê-la com os olhos lameados de pranto. Ela não o tinha mais ao lado, mas muitas eram as lembranças. A história dos dois foi tão intensa e agradável que deixou marcas de um amor capaz de superar até a mais horrenda dor.

Lá estava a Senhora acariciando o porta-retratos com a última foto tirada em vida – ela sorrindo de forma espontânea e ele a rodeando com um abraço afetuoso. Cenas daquele amor puro, verdadeiro e infindável demoravam em sua mente. As marcas da história deles continuavam vivas.

O outono parecia ter chegado àquele lar. As recordações estavam todas no chão daquele coração solitário, mas a árvore do afeto permanecia em pé e assim seguiria no rumo das coisas boas que vivenciaram.

O coração daquela Senhora enamorada passou a ter a certeza de que na eternidade os dois se encontrariam. Quando e como, ela não sabia, mas enquanto isso decidiu ficar acompanhada, não pela solidão, mas pelos doces, preciosos e amoráveis momentos que desfrutaram juntos. Coisas de amor.

PS: Baseado em uma história real.



"Poemizando" a vida

18/05/2016 16h51 - Atualizado em 19/05/2016 08h33

Lia Raquel Mascarenhas 

“Minha liberdade é escrever” - muito bem colocou Lispector (minha para sempre amada escritora). Pego emprestado essa verdade e a assumo também. Tenho pela caneta e papel um apreço sem tamanho. Desde tenra idade aprendi a me aventurar nas letras, nos versos e nos poemas. Nunca me canso de aprender e, sendo literariamente sincera, nunca será suficiente. “Escrever” é um eterno gerúndio e aqui no blog serei a todo tempo, uma aprendiz.

Ver meus escritos semanalmente compartilhados é a realização de um sonho. Digo que é coisa de Deus. Agradeço à Equipe CNN, na pessoa do Fred, pelo convite, confiança e parceria.

Sou pedroafonsina de sangue, alma e coração. Foi nessa amada cidade que descobri o real sentido da felicidade e por onde eu for levarei uma gratidão interminável por tudo que aí vivi. As minhas primeiras inspirações têm cheiro e gosto das tardes quentes, do Rio Sono, da saudosa Rua 8, da Escolinha Jandevam , do Colégio Cristo Rei e de tanta gente querida que passou e ficou no meu caminho! Hoje, distante fisicamente, sigo com tudo isso guardado no âmago.

Nesse espaço, tentarei “poemizar” a vida – esse presente ora com rima, ora não.

Abreijos.

Sigamos juntos nessa busca por versos e trechos de alegria.

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