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Educação e Cultura

CRÔNICA

Sobre uma (nobre) saudade

16/02/2016 16h44 - Atualizado em 16/02/2016 17h00

Lia Raquel Mascarenhas Lacerda 
Pedroafonsina, bacharela em Direito e escritora

Uma homenagem àqueles que tiveram o doce privilégio de saborear intensamente esses pedaços de momentos.

Estavam todos inquietos. O sol, ofegante. Assim a turma do último ano do Ensino Médio do Colégio Cristo Rei, de Pedro Afonso, se preparava para comemorar os 100 anos de Einstein. A feira de ciências foi friamente calculada pelo ânimo daqueles "quase adultos".

Era prazeroso chegar mais cedo à aula e dividir as tarefas. Quem falaria sobre a biografia? E as maquetes? E aquelas curiosidades absurdas sobre a vida daquele que mudaria a Ciência com suas vastas teorias? Certo é que a relatividade não ganhou tanta atenção como o esperado. O legal mesmo foram os ensaios, as piadas internas, as idas e vindas daquela ladeira de bloquetes. O salão nobre foi palco de tantas farras saudáveis, de lembretes que se eternizaram, de uma alegria tão intensa que o tempo jamais levará da memória de quem ali viveu ou simplesmente passou.

Assentar-se naquela calçada alta nos arredores do Cristo Rei era quase que um ritual. Na verdade era sim, um prazeroso ritual. Ali histórias eram compartilhadas nos intervalos (ou até mesmo fora deles), seminários eram estudados de forma rápida até o professor entrar na sala. Só quem teve o doce privilégio de acordar cedo e entrar antes das 7h15 saberá falar do gosto de entoar o hino nacional com a mão no peito . Só quem teve duas aulas seguidas de Educação Física vai saber contar sobre as brincadeiras de queimada, dos papos naquele campo com o mato por cortar ou das fugidas rápidas à cantina para comprar uma gelada pitchula (que naquela época custava 0,50 centavos). O poder aquisitivo era bem mais vantajoso - com 1 real , 1 skiny e 5 geladinhas faziam a festa!

O tempo passa. Quem dera pudesse ficar preso dentro de uma garrafa tapada com uma rolha. Não dá! Ele corre e voa mesmo. A turma já não se reúne mais para os ensaios. Não há mais encontros naquela esquina para acertos de contas. Já não se compra muita coisa com 1 real. A calçada alta já não recebe mais aquelas gargalhadas da turma unida desde o jardim da infância. O hino nacional ficou agora só na abertura dos jogos nacionais. O portão ainda abre, mas não mais às 7h15 como antes.

De tudo, ficou a saudade. Saudade de atravessar aquele portão correndo só para poder gritar bem alto "quem chegar por último é a mulher do padre". Saudade eternizada de um tempo colorido, fantástico. Tempo nobre no salão que era nobre.

Vou correr aqui antes que toquem a sirene e o Batista feche o portão!
 

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