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Educação e Cultura

REFLEXÃO

Meio Ambiente: sem heróis ou bandidos

06/06/2017 08h42 - Atualizado em 07/06/2017 11h58
Meio Ambiente: sem heróis ou bandidos F. Oliveira

Fernando Teza Mazzola é administrador, especialista em gestão empresarial pela FGV e membro do Núcleo Jovem Cooperativista


O dia 5 de junho foi adotado mundialmente como o Dia do Meio Ambiente, data para homenagear e lembrar da importância do meio ambiente para nossa vida.
Nesse dia especial, o pesquisador Evaristo Eduardo de Miranda, da Embrapa Monitoramento por Satélite, divulga uma série de dados que contradiz e que deixa de queixo caído os defensores do meio ambiente que tornaram a agricultura seu grande alvo, aqueles que julgam os agricultores como os responsáveis pela aniquilação do meio ambiente.

Entre os dados divulgados pelo pesquisador, que foram recolhidos pelo CAR (Cadastro Ambiental Rural), estão os percentuais de área preservada pelos agricultores em suas propriedades, que somam 20% de todo o território nacional, enquanto o poder público, com a criação de reservas e áreas de preservação protegem cerca de 13% do território brasileiro.

Muito bem, mas o que esses números nos mostram? O que significam?

Para começo de conversa, mostra que cerca de 33% do território brasileiro é preservado, ou seja, um terço do país. Estamos fazendo um bom trabalho na preservação das nossas florestas, (isso somente as áreas contabilizadas acima, se considerarmos todas a áreas de proteção indígenas, áreas de quilombolas e áreas de floresta que ainda não foram colonizadas, este percentual sobe a 63%) muito melhor que a maior parte do mundo, em termos de área coberta por florestas. Perdemos somente para a Rússia, que possui um imenso território... (uma curiosidade fica por conta de Israel, único país do mundo onde as áreas de floresta estão crescendo). O segundo ponto de reflexão é o fato de as reservas localizadas em áreas particulares serem maiores que as áreas designadas pelo governo para isso, sinal de que os produtores rurais estão fazendo sua parte para a preservação das matas e mostrando que o código ambiental que está em vigor, ao contrário do que muitos ambientalistas diziam, funciona muito bem e está ajudando a preservar as nossas florestas e a nossa biodiversidade. Nos traz também um questionamento.... O que seria melhor? Esperar o governo para termos uma preservação eficiente do meio ambiente ou podemos acreditar nos empreendedores, e em nós mesmos para buscar uma solução para isso?

Os produtores rurais, por sua vez, não param por aí, existem muitas iniciativas para melhorar ainda mais a sua relação com o ambiente a sua volta, desde a busca por aumentos de produtividade das suas áreas, exigindo menos terras para a produção de alimentos (com a adoção da segunda safra, novas tecnologias de cultivo, fertilizantes.), iniciativas para a chamada agricultura de baixo carbono (com a integração entre lavoura, pecuária e floresta), uso de energias alternativas e renováveis (máquinas movidas a biogás, uso de energia solar, além de uso da água de chuva) e por aí vai...

O grande problema para ampliar a proteção ao meio ambiente atualmente é a maneira como tratamos deste tema, levamos as discussões sobre o meio ambiente para a política, deveríamos tratar as questões ambientais também como econômicas.

Antes de explicar como seria, vamos a uma lição básica de economia. O estudo da economia se baseia nas nossas decisões diárias sobre o que fazemos, se consumimos, se poupamos, como fazemos para garantir a nossa qualidade de vida e por aí vai.

A decisão de transformar uma área de floresta em plantação ou em pastagem leva em consideração que a produção vai melhorar a renda, trazendo ganhos, o que se chama, para os economistas, de mecanismo de incentivo. Outro ponto fundamental é a adoção de tecnologias para aumentar a produção, para melhorar ainda mais a renda, mas devido ao encontro da produção com o consumo, quanto mais se produz, mais barato fica o produto, melhorando a situação dos compradores.

Voltando ao debate sobre o meio ambiente, hoje temos, por lei, a obrigação de deixar uma parte de toda e qualquer propriedade rural, uma percentagem como reserva legal, para preservação da fauna e flora do local. A lei determina que estas áreas sejam intocadas, sendo proibida qualquer atividade nem o trânsito de animais domesticados.
Hoje, as discussões apontam para o lado de que se a preservação ambiental é um dever comum, que todos devemos participar para a preservação do meio ambiente, por que somente os imóveis rurais e os habitantes do campo são obrigados a contribuir enquanto as cidades produzem mais lixo a cada dia? Criamos cada vez mais uma divisão, colocamos um lado conta o outro, montamos heróis e vilões. Cmo balancear essa questão?

Quando se coloca sobre o espectro econômico, a questão pode ser pensada de outra maneira. Como criar incentivos para que a floresta preservada retorne ao proprietário mais renda que a pastagem ou a lavoura?

A partir deste ponto, não nomeamos bandidos e mocinhos, começamos a pensar no que realmente tem valor para nós e como podemos aproveitar sem explorar todos os recursos que temos a nossa disposição.




 

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