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Segurança e Justiça

EMPRESA FOI INDICIADA

Inquérito policial conclui que Bunge é culpada pelo maior incêndio já registrado em Pedro Afonso

13/11/2017 10h58 - Atualizado em 20/11/2017 15h48
Inquérito policial conclui que Bunge é culpada pelo maior incêndio já registrado em Pedro Afonso Arquivo CNN

Henrique Lopes

A 11ª Delegacia Regional de Polícia Civil (DRPC) de Pedro Afonso encerrou, na última semana, o inquérito das investigações do caso de incêndio ocorrido na segunda quinzena do mês de agosto e que devastou uma área de 7,400 hectares. Esse é considerado o maior incêndio já registrado no município.

Entre as áreas localizadas na zona rural de Pedro Afonso, a cerca de 20 km do centro do município, estão plantações de milho, mandioca e banana, pomares frutíferos, pastagens, além de áreas de reserva legal e área de preservação permanente (APPs). Cercas, currais e rebanhos inteiros também foram atingidos pelo fogo, trazendo inúmeros prejuízos ao meio ambiente e a produtores rurais.

O delegado Lucas Kertesz de Oliveira, responsável pelo inquérito, disse em entrevista exclusiva ao Portal CNN, que após as investigações, a empresa Bunge, que produz álcool e açúcar, foi indiciada pelo incêndio. “A empresa Bunge foi indiciada pelo fato de vários casos de incêndio já terem ocorrido, ano após ano, e este também teve início em uma propriedade rural administrada pela empresa”, explicou Lucas.

O relatório e as imagens de satélites disponibilizados pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) também contribuíram para a conclusão do inquérito. “O próprio Naturatins deixa claro em seu relatório que já tinha advertido a empresa para que ela tomasse providências no sentido de evitar novos casos de incêndio, como ainda é um problema contínuo não tivemos alternativa a não ser indiciar a empresa”, afirmou.

Para ele, a proporção que o incêndio tomou colocou em risco não apenas o meio ambiente, mas também a vida das pessoas. “Há casos de pessoas que por pouco não foram lesionadas pelo fogo”, revelou.

Mantendo o posicionamento inicial, onde destacou a complexidade da investigação, o delegado relembrou que não foi possível identificar a pessoa que iniciou o fogo. “Nos não conseguimos identificar a pessoa física, pois era preciso ter alguém que viu, uma prova mais concisa, pois passam muitas pessoas pelo local e qualquer uma poderia ter iniciado o incêndio”, completou Lucas.

O inquérito já foi encaminhado ao Ministério Público Estadual, que agora ele decidirá se oferece a denúncia ao Poder Judiciário ou pedirá seu arquivamento.

O Portal CNN entrou em contato com a assessoria de comunicação da Bunge e pediu um posicionamento da empresa sobre a conclusão do inquérito, mas até o fechamento desta reportagem não obteve resposta.

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