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ANIVERSÁRIO DE EMANCIPAÇÃO

Bom Jesus do Tocantins chega aos 27 anos com passado de lutas

20/02/2018 14h38 - Atualizado em 16/03/2018 14h50
Bom Jesus do Tocantins chega aos 27 anos com passado de lutas Foto antiga do centro de Bom Jesus do Tocantins

Henrique Lopes

Há 27 anos o estado do Tocantins ganhava mais municípios. Um deles estava na margem direita do rio Sono e recebeu o nome de Bom Jesus do Tocantins.

Na terça-feira, 20 de fevereiro, o município completou mais um ano de sua emancipação político-administrativa. Emancipação, fruto de enormes lutas, que começaram no início da década de 80, por meio do Movimento de Construção de Bom Jesus (MCBJ), liderado pelo ex-prefeito Gilvan Rodrigues Bezerra, já falecido, e que encabeçou a bandeira de emancipação  ao lado de outros líderes locais. Juntos conseguiram apoios de políticos em Palmas e Brasília (DF), até a criação do município em 1992.

O legado de Bom Jesus do Tocantins e de seu povo ultrapassa sua história recente e vem sendo construído há quase um século. Maria Lima Barbosa, conhecida como Guardalupe, se mudou para a localidade na década de 40, aos nove anos de idade, e ainda recorda das primeiras casas da cidade. “Eram apenas essas ruas ao redor de onde hoje é a praça da igreja, tinha um mercadinho na esquina e a casa onde o papai comprou para morar”.

Bastante religiosa, Guardalupe, aos 81 anos, lamentou não ter escrito a história da cidade e descreveu como começou a mais tradicional festa do município. “Quando chegamos aqui nem igreja tinha, um casal chamado Isabel e Augusto rezava todos os anos para o Senhor Bom Jesus dos Passos, daí as pessoas participavam. Teve uma época que era tanta gente que não cabia mais na casa e tivemos que fazer a reza debaixo de uma árvore, foi quando se decidiu construir uma igreja”, relembrou.

Aposentada, Guadalupe relatou ainda que toda a comunidade se envolveu na construção da igreja que fica no centro do município. “Não tinha carro, nem nada, então todo mundo ia pegar os adobes com as mãos. Crianças, jovens e adultos, tinha uns que vinham só com dois adobes, mas ajudavam e construímos a igreja, onde as missas ainda eram ministradas em latim”.

As lembranças da igreja também estão na memória de Maria Pereira Bezerra, 83 anos. “Na igreja tinha uma telha, não lembro o nome agora, de metal, quando chovia não dava para ouvir o padre, depois foi que mudou”, contou sorridente.

Mariquinha, como é conhecida a mãe é do primeiro prefeito de Bom Jesus do Tocantins, Gilvan Rodrigues Bezerra, lembrou da primeira obra pública entregue no município, a Creche Mundo da Criança, para os pais terem onde deixar seus filhos enquanto iam trabalhar.

Outro aspecto do passado, recordado com nostalgia pela aposentada é a amizade entre os moradores da cidade. “Antes todos sentavam nas portas das casas, grupos de dez ou 15 pessoas, para contar os causos. Hoje em dia, a cidade se desenvolveu e com isso veio a insegurança”, lamentou Mariquinha.

Passado, presente e futuro
É exatamente a segurança o principal problema enfrentado pelos bonjesuínos nos dias atuais, como conta o vigilante Jeová dos Santos Gomes, 56 anos. “Antigamente não tinha essa criminalidade, nem mesmo drogas como vemos hoje”, argumentou.

A insegurança talvez seja o reflexo direto do crescimento da cidade nos últimos 27 anos. O avanço territorial da cidade vem impressionado até mesmo os que chegaram mais recentemente ao município. O autônomo Carlito Benício Santos, 53 anos, mora há 12 anos em Bom Jesus e afirmou que a cidade tem crescido bastante. “Quando eu vim para Bom Jesus só tinha uma rua após a minha casa, hoje já tem bairros inteiros e a cidade continua crescendo”.

Carlito também citou outros problemas enfrentados pela população: a falta de infraestrutura e o abastecimento de água. “Não é uma coisa de hoje, mas que toda a comunidade ainda sofre, tanto com a água como a falta de asfalto”, destacou o autônomo, que também listou a segurança pública como algo que preocupa os cidadãos.

Apesar de todos os problemas, Guardalupe, Mariquinha, Jeová e Carlito são enfáticos ao afirmarem o seu amor pela cidade. “Eu gosto de Bom Jesus, vivi aqui a minha visa toda e esta é a cidade que amo”, testemunhou Jeová.

 

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