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Família vive em condições subumanas em Bom Jesus do Tocantins

12/12/2018 17h59 - Atualizado em 12/12/2018 18h00
Família vive em condições subumanas em Bom Jesus do Tocantins Deusiane Gomes Soares deitada no chão ao lado do filho Danilo

Vítima de tentativa de homicídio no último mês de outubro (leia aqui), quando devido à gravidade dos ferimentos ficou internado por vários dias em um hospital de Palmas, o jovem Danilo Gomes Soares, de 26 anos, morador de Bom Jesus do Tocantins, passa por uma nova situação difícil após o retorno para casa.

Leitores encaminharam à reportagem do Portal CNN fotos onde o jovem, que é deficiente mental, juntamente com a sua mãe, Deusiane Gomes Soares, aparecem dormindo no chão, em um local impróprio. As imagens também mostram parte da residência que possui paredes repletas de infiltrações e sem móveis básicos como camas. Também há muita sujeira, tanto na parte interna como na externa da residência. 

Apenas uma rede e uma prateleira ocupam o espaço repleto de água e infiltrações causadas pela chuva.

O Portal CNN encaminhou as imagens para avaliação da Secretaria de Assistência Social e Juventude de Bom Jesus do Tocantins, que por meio de nota, assinada pela secretária Jakeline Sales, afirmou que a gestão municipal, desde que assumiu a administração do município tem se esforçado para suprir as necessidades da Deusiane Gomes Soares e de seu filho.

Entre as ações destacadas pela secretária estão a construção de um banheiro, aquisição de um tanque de lavar roupa, instalação de portão que dá acesso à casa, religamento da energia elétrica, além da disponibilização de armário, rede, vestuário, roupas de cama e banho, ventilador, cama, mesa, cadeiras e colchões, que eram danificados constantemente pela família, com necessidade de reposição semanal. “A Secretaria Municipal de Assistência Social fornece também mensalmente materiais de higiene e de limpeza para a família. Enquanto que a alimentação [café da manhã, almoço, lanche e jantar] para à mãe e o filho é adquirida com o Benefício de Prestação Continuada do senhor Danilo Gomes Soares”, destacou o documento.

Ainda de acordo o documento, após o incidente com Danilo, a Prefeitura de Bom Jesus alugou temporariamente uma residência para que pudesse fazer as reformas no telhado e piso do imóvel onde a família reside atualmente, mas alegou que “a mesma não se adaptou e retornou a residência anterior”.

A prefeitura afirma que reconhece que há muito o que fazer para esta família, mas destaca que “existem outras que também estão em situação de vulnerabilidade, e por isso não pode fazer maiores investimento”. A gestão também alega que sofre com a “omissão por parte da família que não demonstra interesse em ajudar nos cuidados com os seus membros que apresentam deficiências”.

Já a Secretaria de Saúde de Bom Jesus do Tocantins informou, também por meio de nota, que nos últimos meses o jovem Danilo Gomes Soares está sendo acompanhado pelos profissionais da psta. “São realizadas visitas domiciliares pela equipe multiprofissional; são feitos curativos no paciente diariamente, e também orientação para o tutor com relação ao uso correto das medicações nos horários, medicação [Clonazepam 2mg, Haloperidol 5mg, Prometazina 25 mg]. Quanto ao retorno médico, o paciente está aguardando, pois o mesmo foi lançado no sistema de regulação do município sendo provavelmente liberado para a próxima quinzena de dezembro”, frisou.

Ainda de acordo a nota, a mãe do Danilo, Deusiane Gomes Soares, sempre é avaliada nas visitas domiciliares pela equipe da Secretaria de Saúde. “Solicitou exames laboratoriais, após resultados, encaminhou para Hospital Regional de Pedro Afonso e também está sendo acompanhada pela Secretaria de Saúde de Bom Jesus do Tocantins”, completou o documento.

Curadoria
A reportagem do Portal CNN também conversou com curador de Danilo, o microempresário Célio Pereira Rodrigues, que possui a tutela do jovem há cerca de um ano e seis meses. Ele afirmou que vem tentando realizar um trabalho melhor de cuidado da família, mas que falta suporte por parte da gestão municipal. “Tenho lutado diariamente com o caso do Danilo por amor, pois são muitas dificuldades. A gestão no início dava maior atenção ao caso, mas atualmente baseiam-se na justificativa de que não tem recursos e por isso as vezes a situação chega a ser como essa”, contou.

Célio revela ainda que já foram investidos em móveis como colchões, cama, cadeiras, mas alega que a reposição não é contínua. “Falta esse acompanhamento, por parte da Secretaria de Assistência Social. Até mesmo para avaliar o nosso trabalho, pois como é que podem cobrar qualquer coisa se não há esse suporte ou acompanhamento? O problema da casa é antigo e já foi notificado à secretária”, ressaltou o microempresário.



 

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