Moradores de Rio Sono, Centenário e Recursolândia reivindicam retorno de balsa que fazia travessia no Rio Perdido

Por Redação Publicado em: 03/02/2026 - 15:43

Em um protesto que mistura indignação e esperança, moradores de Rio Sono, Centenário e Recursolândia cobram o retorno de uma balsa que fazia a travessia no Rio Perdido e foi retirada há 26 anos. O que deveria ter sido uma reforma temporária transformou-se em um isolamento geográfico e econômico que prejudica centenas de famílias.

 

O local onde era feita a travessia fica a 70 km da área urbana de Rio Sono e 65 km de Centenário.

 

A balsa foi instalada originalmente em 1996. Contudo, no ano 2000, a estrutura foi retirada pelo Governo do Estado para manutenção e nunca mais retornou. Isso forçou a população a adaptar sua sobrevivência a uma realidade de exclusão logística.

 

Com a falta da travessia direta, para chegar à capital, Palmas, quem sai de Centenário ou Recursolândia é obrigado a percorrer uma longa distância. O trajeto exige passagens por Santa Maria do Tocantins, Bom Jesus do Tocantins, Pedro Afonso e Guaraí, acessando a BR-153 apenas em Miranorte para, só então, descer via Miracema do Tocantins e Lajeado.

 

Esse contorno representa um acréscimo de mais de 300 quilômetros no percurso. Em termos práticos, uma viagem que poderia ser resolvida em poucos minutos de balsa transforma-se em uma jornada exaustiva de horas, elevando o consumo de combustível e o desgaste dos veículos, além de sobrecarregar a rodovia Belém-Brasília.

 

Já os residentes na área rural de Rio Sono para deslocar a Centenário e Recursolândia precisam ir na sede da cidade, atravessar o rio e passar pelos municípios de Pedro Afonso Bom Jesus e Santa Maria do Tocantins.

 

Vidas em risco

Enquanto a balsa não vem, o perigo é a única via disponível. Cerca de 150 famílias que residem nas proximidades do Rio Perdido dependem de canoas de madeira precárias para atravessar. O cenário é alarmante: motos, bicicletas e produtos agrícolas são equilibrados em embarcações de pequeno porte.

 

Mutirão

No último domingo, 1º de fevereiro, a comunidade realizou um mutirão para limpar as margens do rio. Cerca de 30 pessoas participaram da ação. O gesto foi simbólico: mostrar aos gestores públicos que a estrutura física de acesso está pronta, bastando apenas a vontade política.

 

Os moradores apontam que, em 2025, houve uma tentativa de diálogo, mas as prefeituras de Rio Sono e Centenário não chegaram a um consenso sobre quem assumiria os custos operacionais da balsa. A falta de união entre as gestões municipais é vista como o principal entrave para a solução do problema.

 

Apelo

O movimento agora escala para a esfera estadual. Os líderes comunitários direcionaram um apelo direto ao governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos). A reivindicação é clara: se as prefeituras não conseguem gerir a travessia, o Estado deve intervir. A balsa é vista como uma solução paliativa urgente, mas o sonho definitivo é a construção de uma ponte que encerre de vez o ciclo de isolamento.

 

Procurada pela reportagem do Portal CNN, a Agência de Transportes, Obras e Infraestrutura (Ageto) informou que a travessia por balsa no Rio Perdido não faz parte da malha rodoviária estadual.

 

Além disso, segundo a pasta, até o momento, não houve notificação ou solicitação formal dos municípios envolvidos à Ageto. “É importante ressaltar que população da região dispõe como alternativa de deslocamento a rodovia federal BR-235”, completa a nota enviada pela autarquia.

 

A pasta reforça que, caso haja solicitação oficial, poderão ser avaliadas as condições para adoção das medidas cabíveis.

 


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