

A travessia do Rio Perdido, entre os municípios de Rio Sono e Centenário, voltou ao centro de um impasse que mistura isolamento, prejuízos e disputa pelo uso de propriedade privada. Enquanto aguardam o retorno da balsa prometida pelo governo, moradores têm recorrido a canoas improvisadas, mas a alternativa também passou a ser alvo de conflito.
Segundo relatos da comunidade, embarcações usadas diariamente para transportar pessoas, motos e produtos agrícolas estariam sendo retiradas à força do local. A denúncia é de que um proprietário rural da região estaria impedindo a travessia e, em alguns casos, soltando as canoas no rio. Além disso, o fazendeiro teria trancado com cadeado a porteira de acesso ao local.
“Ele não quer que ninguém passe. Já soltaram duas canoas. Uma sumiu e outra ele mesmo falou que ia soltar, marcou até o dia”, afirma o lavrador Paulo Noleto, que tem uma propriedade próxima ao porto. Segundo ele, a situação tem causado prejuízos diretos às famílias que dependem da travessia. “A gente usa essas canoas para trabalhar, para ir e voltar. Isso está atrasando a vida de todo mundo”, completa.
De acordo com os moradores,
uma das embarcações chegou a ser presa com correntes, mas ainda assim foi
retirada. A travessia improvisada é hoje a principal alternativa para cerca de
150 famílias da região, que enfrentam longos desvios por rodovias para acessar
cidades vizinhas.
Do outro lado, o dono da área onde ocorre a travessia contesta a versão. O ex-vice-prefeito de Centenário, Zé Lira, afirma que a passagem pelo local é irregular e caracteriza invasão de propriedade.
“Invasão de propriedade é isso que está acontecendo na minha fazenda. Já fui multado por causa dessas ações sem autorização ambiental. Estão abrindo estrada, causando dano e depois querem se passar por vítimas e me perseguir. Já acionei a justiça”, declarou.
Ele também afirma que não autoriza o uso da área para instalação de balsa ou qualquer tipo de travessia. “Não aceito o retorno de balsa na minha propriedade”, reforçou, negando que tenha soltado as canoas.
Expectativa
O impasse acontece mesmo após o anúncio recente do governador Wanderlei Barbosa, que prometeu a reforma da balsa que historicamente fazia a travessia no Rio Perdido. O serviço foi desativado no início dos anos 2000 e nunca retomado, deixando comunidades inteiras isoladas.
A expectativa é que, com a reativação da balsa, o trajeto entre municípios como Centenário e Palmas seja reduzido em até 300 quilômetros. Enquanto isso não acontece, moradores seguem se arriscando em travessias precárias, agora também marcadas por tensão e disputas.
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