Desaparecimento de Luiz Fernando Louzeiro, o “Xirica”, completa quase 6 anos sem respostas em Pedro Afonso

Por Gabriel Dias Publicado em: 11/02/2026 - 16:04

O desaparecimento de Luiz Fernando Louzeiro, conhecido em Pedro Afonso como “Xiririca”, segue sem esclarecimento quase seis anos após o último registro de seu paradeiro. Ele sumiu no início de maio de 2020, aos 40 anos, durante o período inicial da pandemia da Covid-19, e nunca mais foi visto.

 

Luiz Fernando morava com a mãe e trabalhava como ajudante de serviços gerais em uma empresa terceirizada que prestava serviços para a Bunge, no município. Segundo familiares, ele começou a apresentar fortes dores de cabeça após alguns dias de trabalho e demonstrava preocupação com a possibilidade de ter contraído Covid-19 e transmitido a doença à mãe.

 

Diante dos sintomas, um dos irmãos o levou ao Hospital Regional de Pedro Afonso para atendimento médico. O familiar deixou Luiz Fernando na unidade de saúde e orientou que ele aguardasse até ser liberado para buscá-lo em seguida. No entanto, no início da noite do mesmo dia, por volta das 19h, a família recebeu a informação de que Luiz Fernando havia apresentado um surto psicótico na unidade de saúde e deixado o local. Desde então, não houve mais contato.

 

Últimos registros e deslocamento até a área do rio

Após sair do hospital, Xirica seguiu em direção à região do rio Sono. No caminho, ele passou pela casa de uma vizinha e pediu que ela chamasse a polícia, afirmando que havia pessoas atrás dele. De acordo com os familiares, não existia qualquer ameaça real naquele momento.

 

Naquela noite, a família optou por não segui-lo imediatamente, temendo que uma abordagem provocasse uma reação mais grave. No dia seguinte, sem notícias, os irmãos iniciaram buscas na área onde ele teria descido em direção ao rio.

 

Conforme os familiares, o nível do rio estava baixo, com áreas de lama expostas, e não foram encontrados vestígios que indicassem que Luiz Fernando tivesse entrado na água. A partir desse ponto, a família passou a realizar buscas diárias por conta própria.

 

Buscas oficiais e procura por conta própria

A Polícia Militar foi acionada e solicitou apoio do Corpo de Bombeiros, que realizou buscas nos rios Sono e Tocantins, até o município de Tupiratins. As equipes percorreram cerca de dez quilômetros rio abaixo e também fizeram varreduras nas margens, sem localizar indícios do desaparecido.

 

Paralelamente, os familiares organizaram buscas terrestres por aproximadamente 20 dias, com apoio de vizinhos e amigos. Os grupos saíam pela manhã e percorriam estradas vicinais, áreas de mata e fazendas, utilizando até quatro veículos por vez. Apesar do esforço, nenhuma pista concreta surgiu.

 

Após cerca de um mês, um dos irmãos registrou oficialmente o boletim de ocorrência na delegacia. Segundo a família, houve contatos esporádicos com a polícia nos meses seguintes, com a informação de que o caso estava sob investigação, mas sem retorno efetivo ou atualização sobre o andamento das apurações.

 

Relatos de possíveis avistamentos

Dias após o desaparecimento, um trabalhador que retornava do serviço à noite relatou ter visto um homem com as mesmas características de Luiz Fernando pedindo carona em uma estrada da região. Outro relato partiu de um morador rural, que afirmou ter visto um homem caminhando pelo acostamento de uma rodovia, vestindo short e camiseta, com a cabeça baixa.

 

A descrição da roupa e do corte de cabelo coincidiam com as características de Xirica no dia do desaparecimento. A partir dessas informações, familiares intensificaram as buscas em direção aos municípios de Rio Sono e Tocantínia, sem sucesso.

 

Contexto familiar e dificuldades

Luiz Fernando era o mais novo de seis irmãos. O pai havia falecido cerca de dois meses antes do desaparecimento, fato que, para a família, pode ter impactado emocionalmente o trabalhador. Os irmãos relatam que ele mantinha rotina ativa, ajudava em trabalhos informais e tinha relação próxima com a família.

 

Sem recursos financeiros, os familiares afirmam que custearam as buscas por conta própria, chegando a pedir ajuda para combustível. Com o passar do tempo e a falta de novas pistas, as buscas foram interrompidas.

 

Até hoje, segundo os irmãos, a mãe de Luiz Fernando não aceita a possibilidade de morte do filho. Para a família, a esperança permanece na chance de que ele esteja vivo e tenha perdido contato após um possível surto ou efeito de medicação.


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