
Há exatos 70 anos, no dia 5 de agosto de 1956, o então distrito de Bom Jesus respirava a euforia de uma partida de futebol entre a equipe local e um time visitante de Pedro Afonso. O que ninguém imagi
Imagem ilustrativa produzida com auxílio de Inteligência ArtificialLourivam Castro
Escritor
Há exatos 70 anos, no dia 5 de
agosto de 1956, o então distrito de Bom Jesus respirava a euforia de uma
partida de futebol entre a equipe local e um time visitante de Pedro Afonso. O
que ninguém imaginava, no entanto, é que o apito final daquele jogo marcaria
não apenas o fim do torneio, mas o prelúdio de uma noite inesquecível e
trágica.
Para retornar à sede da
cidade, a equipe pedro-afonsina iniciou a travessia do Rio do Sono a bordo da
tradicional embarcação conhecida como “Ajojo”. O sol já havia se despedido, por
volta das 18h30, quando o impensável aconteceu: logo abaixo da praia, o barco
naufragou repentinamente. O pânico tomou conta das águas e três vidas foram
abruptamente ceifadas na correnteza, um policial e dois civis, enquanto os demais
passageiros lutavam desesperadamente na escuridão até alcançarem diferentes
pontos de ambas as margens.
Relatos da época contam que,
naquela noite, Pedro Afonso simplesmente não dormiu. As margens do rio foram
tomadas por moradores aflitos, que passavam a madrugada buscando
incessantemente por familiares, amigos e qualquer sinal de sobreviventes na
água. A angústia pairou por horas a fio, e foi somente com o clarear do dia que
o cenário definitivo se revelou: o alívio pelos que haviam conseguido se salvar
misturou-se ao luto profundo por aqueles que, infelizmente, pereceram para
sempre nas águas do Rio do Sono.
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