
Imagem ilustrativa produzida com auxílio de Inteligência ArtificialLourivam
Castro
Escritor
O ano era 1949. Apesar de já
somar 102 anos de história, Pedro Afonso ainda era uma cidade pacata e
desprovida de infraestrutura: não se conhecia energia elétrica, tampouco água
encanada. A vida da população orbitava em torno dosRrios Tocantins e do Sono.
Era das águas que os moradores tiravam o sustento, lavavam roupas e garantiam o
consumo doméstico. Ao longo das margens, formavam-se os chamados
"portos", locais específicos para cada uma dessas atividades. O que
parecia uma rotina tranquila, no entanto, logo se tornaria motivo de um
engraçado escândalo local.
Um dos pontos mais
movimentados era o porto do Rio do Sono, que fazia a travessia entre a sede de
Pedro Afonso e o distrito de Bom Jesus. Além de servir como rota de transporte
e parada para os proprietários abastecerem seus jumentos de carga, o local era
o ponto de banho tradicional dos homens, já que as mulheres utilizavam um porto
separado. No final da tarde, exaustos da lida, muitos trabalhadores desciam ao
rio para se refrescar. O problema é que, fosse por costume ou pura falta de
pudor, eles tiravam absolutamente todas as roupas e entravam na água
completamente nus. O cenário estava armado para um verdadeiro choque de
costumes.
Como aquele era o principal
porto de travessia para o distrito e para toda a zona rural, a situação não
demorou a sair do controle. Embarcações repletas de passageiros, incluindo
senhoras e crianças, chegavam constantemente à margem e davam de cara com
dezenas de homens "em trajes de Adão". O constrangimento era
inevitável. Após inúmeras reclamações de pessoas que precisavam desviar o olhar
ao desembarcar, o bafafá tomou proporções oficiais e o caso foi parar na
política.
Foi então que a Câmara
Municipal precisou intervir. O vereador Francisco Coelho de Sousa apresentou o
Requerimento nº 09/1949, pedindo providências urgentes ao Executivo Municipal
para coibir aquelas pessoas inescrupulosas de tomarem banho totalmente despidas
no porto de travessia, zelando pelo conforto das famílias. Diante do clamor, o
então prefeito Ademar Amorim não titubeou: atendeu ao pedido de imediato,
baixou um decreto proibindo a nudez no local e, para garantir que o pudor fosse
mantido, acionou a Polícia Militar para fiscalizar os banhistas. E assim, sob
os olhos atentos da lei, os homens de Pedro Afonso tiveram que voltar a usar
roupas no Rio do Sono!
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