Pelados no Rio Sono: O Escândalo de 1949

Por Redação Publicado em: 13/08/2026 - 16:37

Imagem ilustrativa produzida com auxílio de Inteligência Artificial

Lourivam Castro

Escritor

 

​O ano era 1949. Apesar de já somar 102 anos de história, Pedro Afonso ainda era uma cidade pacata e desprovida de infraestrutura: não se conhecia energia elétrica, tampouco água encanada. A vida da população orbitava em torno dosRrios Tocantins e do Sono. Era das águas que os moradores tiravam o sustento, lavavam roupas e garantiam o consumo doméstico. Ao longo das margens, formavam-se os chamados "portos", locais específicos para cada uma dessas atividades. O que parecia uma rotina tranquila, no entanto, logo se tornaria motivo de um engraçado escândalo local.

 

​Um dos pontos mais movimentados era o porto do Rio do Sono, que fazia a travessia entre a sede de Pedro Afonso e o distrito de Bom Jesus. Além de servir como rota de transporte e parada para os proprietários abastecerem seus jumentos de carga, o local era o ponto de banho tradicional dos homens, já que as mulheres utilizavam um porto separado. No final da tarde, exaustos da lida, muitos trabalhadores desciam ao rio para se refrescar. O problema é que, fosse por costume ou pura falta de pudor, eles tiravam absolutamente todas as roupas e entravam na água completamente nus. O cenário estava armado para um verdadeiro choque de costumes.

 

​Como aquele era o principal porto de travessia para o distrito e para toda a zona rural, a situação não demorou a sair do controle. Embarcações repletas de passageiros, incluindo senhoras e crianças, chegavam constantemente à margem e davam de cara com dezenas de homens "em trajes de Adão". O constrangimento era inevitável. Após inúmeras reclamações de pessoas que precisavam desviar o olhar ao desembarcar, o bafafá tomou proporções oficiais e o caso foi parar na política.

 

​Foi então que a Câmara Municipal precisou intervir. O vereador Francisco Coelho de Sousa apresentou o Requerimento nº 09/1949, pedindo providências urgentes ao Executivo Municipal para coibir aquelas pessoas inescrupulosas de tomarem banho totalmente despidas no porto de travessia, zelando pelo conforto das famílias. Diante do clamor, o então prefeito Ademar Amorim não titubeou: atendeu ao pedido de imediato, baixou um decreto proibindo a nudez no local e, para garantir que o pudor fosse mantido, acionou a Polícia Militar para fiscalizar os banhistas. E assim, sob os olhos atentos da lei, os homens de Pedro Afonso tiveram que voltar a usar roupas no Rio do Sono!

 

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