

Na quarta-feira, 27 de maio,
segundo dia de travessia por balsas no Rio Tocantins, entre os municípios de
Pedro Afonso e Tupirama, os usuários enfrentaram longas filas, com espera de
até 10 horas. A situação provocou indignação.
Sem a passagem pela ponte,
interditada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT),
motoristas e pedestres dependem exclusivamente de balsas, operadas pela empresa
Pipes Empreendimentos Ltda., para cruzar o rio, mas afirmam que o sistema não
tem conseguido atender à demanda.
Uma moradora relatou à
reportagem do Portal CNN que chegou ao porto de embarque em Tupirama por volta
das 20 horas, três horas após sair de Palmas, mas só conseguiu chegar em casa,
na cidade de Pedro Afonso, perto das 5h45 da manhã.
“Eu fiquei com medo de vir
pela estrada de chão [TO-010] porque nós éramos quatro mulheres no carro. Na
ida, a gente pegou a balsa aqui do lado de Pedro Afonso na tranquilidade, não
demorou nem 10 minutos. Mas, na volta, nós chegamos em casa quase às seis da
manhã, quase na hora de ir para o trabalho”, contou.
Outro motorista afirmou que passou a noite inteira aguardando a travessia e criticou a falta de organização no embarque de veículos. “Passamos a noite cochilando dentro do carro. O problema é que iam nos caminhões buscar pessoas para atravessar primeiro. Aí começou a revolta. Tinha crianças chorando de madrugada. Eu não quero condenar ninguém, nem prefeito, nem vereador, nem governador, mas do jeito que está é desumano”, desabafou.
Segundo relatos, condutores que chegaram à fila entre 21 e 22 horas ainda permaneciam aguardando a travessia na manhã desta quinta-feira, 28. Um dos moradores afirmou que “quem ficou do outro lado não chegou aqui nem depois de 12 horas”.
Outro relato aponta que
pessoas deixaram os veículos em Tupirama para tentar atravessar a pé.
Também houve reclamações sobre
a prioridade dada a caminhões e a falta de uma operação separada para veículos
de carga e automóveis.
“Cheguei ao trevo de Tupirama
às 19h40 e fui chegar aqui em Pedro Afonso já passava das 4 da manhã. É um
descaso. Têm que tomar providências colocando mais balsas ou separando os
caminhões dos automóveis”, disse outro motorista.
A reportagem do Portal CNN apurou que no início da tarde da
quinta-feira, veículos aguardaram até duas horas para fazer a
travessia entre Pedro Afonso e Tupirama.
ATR
informa que empresa estuda embarcação maior
Em nota enviada ao Portal CNN, a Agência Tocantinense de Regulação, Controle e
Fiscalização de Serviços Públicos (ATR) informou que a empresa Pipes
Empreendimentos Ltda., autorizada em caráter excepcional e temporário para
realizar a travessia entre Pedro Afonso e Tupirama, opera atualmente com duas
balsas.
Segundo o órgão, a empresa
estuda disponibilizar uma embarcação de maior porte para atender a carros e
caminhões em geral.
A ATR informou ainda que a
empresa pretende disponibilizar uma embarcação específica para o transporte de
caminhões que carregam combustíveis, com o objetivo de melhorar o fluxo
operacional, reduzir o tempo de espera e aumentar a segurança da operação.
O órgão destacou que a
autorização foi concedida como medida emergencial após a interdição total da
ponte pelo DNIT e afirmou que acompanha e fiscaliza continuamente a prestação
do serviço.
“A Agência esclarece ainda que
acompanha e fiscaliza continuamente a prestação do serviço, e o descumprimento
das disposições previstas no Termo de Autorização pode implicar a aplicação de
penalidades administrativas, incluindo advertência, multa, suspensão ou até
cassação da autorização, a depender da gravidade da infração”, informou a nota.
A ATR reforçou, por fim, que
seguirá avaliando medidas para melhorar a operação e reduzir os impactos
enfrentados pela população e pelos setores econômicos da região.
O prefeito de Pedro Afonso, Joaquim Pinheiro, confirmou que a Pipes ativaria uma terceira balsa, prevista para chegar no sábado, 30, com o intuito de atender a alta demandar e reduzir as filas em ambos os lados do rio. Além disso, a empresa disponibilizou uma equipe exclusiva para organizar o fluxo de veículos.
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